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Blog · Trajetória e carreira

GitHub e portfólio no currículo: o que explicar sem depender do clique

Coloque o link do GitHub ou do portfólio no cabeçalho, mas escreva no próprio currículo o que a pessoa encontraria lá: o projeto, o seu papel, as decisões e o resultado. O link serve para aprofundar e conferir. Quem não clicar precisa entender o essencial, e quem clicar precisa achar o mesmo que leu, começando por um README claro.

O currículo precisa funcionar sem o clique

Muita gente lê o currículo inteiro sem abrir nenhum link, seja por falta de tempo, seja porque está lendo o texto extraído do PDF dentro de um sistema de recrutamento. Um currículo que diz só “ver projetos no GitHub” deixa essa pessoa sem nada.

A regra prática: tudo que você quer que pese na decisão precisa estar escrito no currículo. O GitHub e o portfólio confirmam e aprofundam. Eles não substituem a descrição.

  • No currículo: nome do projeto, o problema, o seu papel, duas decisões, como validou e o link direto para o repositório.
  • No README: o mesmo resumo, como rodar, decisões com mais detalhe, limites conhecidos.
  • No código: histórico de commits coerente com o que você disse, testes, organização.

Currículo e README dizendo a mesma coisa

O exemplo abaixo é inventado: uma pessoa de dados com um projeto que coleta e analisa dados públicos de qualidade do ar. O trecho do currículo e o começo do README contam a mesma história, com níveis de detalhe diferentes.

Trecho do currículo (exemplo inventado)

“Ar Limpo SP (projeto pessoal, 2026). Pipeline em Python que baixa todo dia os boletins públicos de qualidade do ar, guarda em DuckDB e gera um painel semanal. Tratei estações com dados faltando por interpolação limitada a 3 horas e marquei o resto como lacuna. Testes comparam a média mensal calculada com a publicada. github.com/exemplo/ar-limpo-sp”

Começo do README do mesmo projeto (exemplo inventado)

“Ar Limpo SP coleta os boletins diários de qualidade do ar e gera um painel semanal por estação.”

“Decisões: DuckDB em vez de PostgreSQL porque o volume cabe num arquivo e a análise é toda em lote. Lacunas de até 3 horas são interpoladas; maiores ficam em branco no painel.”

“Validação: o teste compara a média mensal calculada com a média oficial publicada para 3 estações.”

“Limites: não trata mudanças de localização das estações. Como rodar: make setup && make run.”

Repare que o README não promete mais do que o currículo. Se o currículo diz que há testes, o repositório tem testes. Se diz que o painel é semanal, o histórico mostra execuções semanais.

O que conferir antes de pôr o link

  1. O link abre sem login e vai direto ao projeto, não ao perfil inteiro, quando você cita um projeto específico.
  2. O README começa pelo que o projeto faz, em duas frases, antes de qualquer instrução de instalação.
  3. Não há chaves, senhas ou dados pessoais no código nem no histórico de commits.
  4. Os repositórios fixados no perfil são os que você quer que sejam vistos; projetos abandonados podem ficar arquivados.
  5. O que é cópia ou fork está identificado. Um fork sem contribuição sua não é projeto seu.
  6. O portfólio carrega rápido no celular e cada case diz qual foi a sua parte.

Projeto em grupo: deixe claro o que é seu

Em projetos com mais gente, o leitor quer saber o que você fez. O histórico de commits ajuda, mas ninguém vai investigar. Escreva no currículo e no README.

Contribuição declarada (exemplo inventado)

“Projeto de conclusão de curso em grupo de 4 pessoas. Fiz a API de agendamento e os testes de integração; o front-end foi de outros dois colegas.”

Para quem trabalha com design ou produto, a mesma lógica vale para o portfólio: cada case precisa dizer qual parte foi sua, e o currículo resume o case em poucas linhas. O guia Como transformar projetos pessoais em evidências mostra como escolher e descrever o projeto em si.

Quando o link não ajuda

Um GitHub quase vazio ou só com exercícios de curso não precisa ir para o cabeçalho. Ele não atrapalha por estar vazio, mas também não acrescenta, e tira espaço do que importa.

  • Se seus melhores trabalhos são de empresas e o código é privado, descreva-os no texto e deixe o GitHub de fora ou com um aviso curto.
  • Se o portfólio está desatualizado e mostra trabalho de outra área, atualize antes ou não coloque.
  • Se o projeto relevante tem um link próprio (uma demonstração, um artigo), prefira esse ao perfil geral.

Para ver se o texto do seu currículo sustenta os requisitos de uma vaga sem depender do link, o guia Como comparar seu currículo com uma vaga traz o método passo a passo.

Perguntas frequentes

Vale a pena colocar o GitHub no currículo?

Vale quando o perfil tem projetos que confirmam o que o currículo diz. Coloque o link no cabeçalho e descreva os projetos no texto, porque muita gente decide sem clicar.

O que escrever no README para recrutadores?

Comece pelo que o projeto faz em duas frases, depois as decisões principais, como você validou, os limites e como rodar. O README deve contar a mesma história que o currículo, com mais detalhe.

Posso colocar código da empresa onde trabalho?

Não sem autorização. Descreva o trabalho no currículo com o problema, a sua parte e o resultado, e deixe o código privado onde ele está.