A vaga pede AWS e você usa Azure: como apresentar experiência transferível
Escreva a nuvem que você usou, nunca a da vaga, e descreva o problema que resolveu: rede, identidade e permissões, containers, filas, custo, observabilidade. Esses conceitos existem nas duas nuvens e se transferem. Os nomes dos serviços, os limites e o jeito de organizar contas e permissões são diferentes, e a própria documentação da Microsoft diz que os serviços equivalentes nem sempre têm os mesmos recursos. Mostre o conceito, admita a diferença e, se puder, prove contato com a outra nuvem.
O que se transfere e o que é de cada nuvem
AWS e Azure resolvem os mesmos problemas: rodar máquinas e containers, guardar dados, controlar quem acessa o quê, ligar redes, medir custo. A documentação oficial da Microsoft para quem vem da AWS, Azure for AWS Professionals, descreve as capacidades como parecidas, mas organizadas de outro jeito, com diferenças importantes de implementação e de desenho. O mesmo texto avisa que os serviços nem sempre se correspondem e que serviços equivalentes não têm, necessariamente, os mesmos recursos.
| Tema | Conceito que se transfere | O que muda de uma nuvem para outra |
|---|---|---|
| Organização e cobrança | Separar ambientes, controlar gasto por time | AWS usa contas como fronteira de permissões e custos; Azure usa assinaturas, que a Microsoft descreve como parecidas com contas da AWS |
| Máquinas virtuais | Dimensionar, escalar, automatizar a criação | Tipos de instância do EC2 e tamanhos de VM do Azure têm categorias parecidas, mas memória, CPU e armazenamento diferem |
| Containers | Kubernetes, registro de imagens, deploy | EKS e AKS rodam Kubernetes; as integrações de rede e identidade são próprias de cada nuvem |
| Serverless | Funções disparadas por eventos, cobrança por execução | Lambda e Azure Functions aparecem como equivalentes, mas a configuração, os limites e a integração com os outros serviços são de cada plataforma |
As equivalências da tabela estão na comparação de serviços de computação da Microsoft. Use páginas como essa para nomear o serviço equivalente na entrevista, não para afirmar que você domina os dois.
Como escrever no currículo
O tópico de experiência deve deixar três coisas claras: a nuvem que você usou, o problema que resolveu e a escala. O conceito fica visível para quem procura AWS, e o fato não muda.
| Antes | Depois | Motivo |
|---|---|---|
| Experiência com cloud. | Mantive a infraestrutura de 30 serviços no Azure (AKS, Azure SQL, Key Vault), com ambientes separados por assinatura. | Nomeia a nuvem, os serviços e a escala. |
| Configuração de permissões. | Desenhei o modelo de acesso por função (RBAC) para 4 times, com revisão trimestral de acessos. | Controle de acesso por função é o conceito que a vaga de AWS procura no IAM. |
| Infraestrutura como código. | Escrevi em Terraform os módulos de rede e cluster usados por todos os times. | Terraform funciona nas duas nuvens; é a parte mais transferível do histórico. |
| AWS (lista de habilidades) | AWS: certificação Cloud Practitioner (2026), sem uso em produção. | Se você tem contato com a AWS, diga qual e em que nível. |
Como explicar na entrevista
A pergunta “você tem experiência com AWS?” tem uma resposta honesta que ajuda: “Trabalho com Azure. Fiz X, Y e Z, que na AWS seriam feitos com tais serviços. Sei que a diferença está em tal ponto.” Isso mostra que você entende o conceito e sabe onde está a curva de aprendizado.
“Nos últimos três anos usei Azure. Operei clusters AKS e o controle de acesso por funções. Na AWS, o equivalente seria EKS com IAM. Sei que a AWS organiza permissões e custos por conta, enquanto eu trabalhava com assinaturas, então a parte de organização de contas eu aprenderia aí. Terraform e Kubernetes eu uso do mesmo jeito.”
Quando a experiência não basta
Há vagas em que a nuvem específica é o centro do trabalho, não uma ferramenta entre outras. Sinais disso:
- O título da vaga cita a nuvem (“AWS Engineer”, “Especialista Azure”).
- O anúncio pede certificação de uma nuvem como obrigatória.
- As responsabilidades falam de migração, arquitetura de referência ou serviços muito específicos de uma nuvem.
Nesses casos, a experiência em outra nuvem conta, mas não substitui. O guia Não cumpro todos os requisitos ajuda a separar o que é competência central do que se aprende no trabalho, e Como comparar seu currículo com uma vaga mostra como registrar o item como parcial.
Como ganhar evidência na outra nuvem
- Refaça um projeto seu na outra nuvem, em pequena escala, e descreva o que mudou. Isso vira um item real em projetos.
- Uma certificação introdutória mostra contato com a nuvem; deixe claro que não é experiência em produção.
- Leia a página de comparação da área em que você trabalha (rede, banco de dados, identidade) e anote as diferenças. Você vai usar essas notas na entrevista.
Para ver o que as vagas de infraestrutura do catálogo pedem hoje, a página Skills de Infraestrutura mostra a parte das vagas abertas que cita cada tecnologia.
Perguntas frequentes
Posso colocar AWS no currículo se só usei Azure?
Não como experiência. Escreva Azure, com o que você fez, e deixe o conceito visível. Se você estudou AWS ou tem certificação, isso entra separado, com o nível real.
Experiência em Azure vale para vaga de AWS?
Os conceitos valem: rede, permissões, containers, infraestrutura como código, custo. Os serviços e a organização de contas são diferentes, e a vaga pode exigir a nuvem específica. Leia se ela é o centro do trabalho ou uma ferramenta entre outras.
Qual o equivalente do EC2 no Azure?
A comparação oficial da Microsoft coloca as Azure Virtual Machines como equivalente das instâncias do EC2, com categorias parecidas, mas capacidades de memória, CPU e armazenamento diferentes.